No escuro ardente do meu ser
No completo breu do meu coração em brasas
Nas cinzas de uma vida sem mim
E no caos da tua ausência.
Já não sei bem escrever versos
Olho para as ruas e vielas nostálgico
Nos lábios de outrem, admiro os seus
Enxergo seus passos nos ônibus e shoppings.
Interrompeu-se uma estrofe
E a vida tem sido esse descaminho
Uma dor se hospedou em mim naquela estação
E já não faço mais poemas como outrora
Tudo passou a ser aquele lugar-comum
E os céus em mim mudaram seus tons.
Já o horizonte se tornou tão previsível.
Escrevo poemas deitado e olho para as nuvens
Uso as reticências para falar de mim
E as vírgulas para descrever as noites e sua ausência.
Heracton Sandes

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