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Salvador, Bahia, Brazil
Quiçá, o modo poético de enxergar a vida tem me tornado este ser em profusão de devaneios.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

CASTELO DE GELO


O retorno é nada prazeroso

Aqui estou a burilar

Castelo de gelo.

Querendo me aquecer

Em busca do fogo

Mas este fogo me queima

A brasa tosta o meu corpo

Angustia a minha alma.

O castelo é tíbio

Pasma o meu ser

O marasmo triunfa

O desejo se esvai.

Tem carnaval lá fora

As pessoas gracejam

E cá dentro solidifica.

Sou o bobo da corte

Melhor, sou o rei eremita.

Não sei mandar no meu reino

Não sei aquecer a minha alma.

A torre é alta e longínqua

Perco-me nos extremos

Ninguém derrete o castelo

Não sei mais quem reina

Não sei mais quem aquece

Tampouco quem ama.

Heracton Sandes Amparo

Um comentário:

Laiana Vieira disse...

"Um autor, primeiro é assunto. Mas a glória, mesmo, é quando ele vira falta de assunto." (Mário Quintana.)
Adorei o texto, sem comentários!!!

Sucesso sempre!

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