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Quiçá, o modo poético de enxergar a vida tem me tornado este ser em profusão de devaneios.

domingo, 12 de agosto de 2007

EU MORFOLOGIA

Nas adversidades da vida, percebo que somos tratados como aquelas velhas e complexas classes de palavras.
Para nós mesmos somos o substantivo: comuns, próprios, abstratos, concretos, primitivos, derivados, simples e compostos. Isso dependerá da nossa auto-estima, pois muitos se valorizam e outros não. Já uns, se valorizam até demais e se nomeiam da forma mais exagerada possível.
Já outros, amigos ou inimigos, tratam-nos como adjetivos: primitivo, derivado, simples ou composto, dando-nos qualidades benéficas ou maléficas, sendo que isso varia de quem nos vê assim.
Para os falsos amigos ou inimigos, somos os pronomes. Sabe aquele parente que nos detesta? Ele usa sempre o ele, ela ou até mesmo os artigos: o..., a...
Para os “caras do poder” ou aqueles que pertencem às oligarquias, somos o numeral. Na hora de votar neles ou quando “fazem” algo por nós, classificam-nos por cardinais, ordinais, multiplicativos e fracionários. Já viram como é tratada a população? Existem X de miseráveis, como se essa fosse uma soma exata e nos transformamos em números. Enquanto isso, muitos pobres ainda continuam passando fome.
Para o tempo, somos o verbo: “vivemos o passando”, somos indecisos, medrosos, inseguros e inconseqüentes no presente e acolhemos o futuro sem esperanças. E em muitos casos, não fazemos absolutamente nada pelo futuro e não assumimos a nossa vocação de flexão do verbo na primeira pessoa do singular no futuro do presente do indicativo, ou seja, construirei.
Meu desejo é que sejamos o advérbio e modifiquemos o verbo, descompassado e acomodado pela arrogância do pronome possessivo.
Sejamos também, conjunções ligando verbos orações a outras orações, apresentando coerência neste texto que é o mundo, o qual muitas vezes se torna pretexto para maldade, a injustiça e a falta de amor ao próximo.
Coloquemos para fora a nossa vontade interjeição, gritando e assumindo que não agüentamos mais as guerras todos os dias em nossas casas, nas ruas, na televisão, no governo e no mundo.
Para transformar este planeta, sejamos toda uma gramática, cheia de normas, dificuldades e contradições, mas que proporciona uma coesão e nos dá habilidade no texto da vida.

Heracton Sandes Amparo

4 comentários:

Leonardo Eloi disse...

Muito interessante o texto.. e vale levar em consideração.. que assim como a gramatica.. sempre temos atualizações e mudanças... mas alguns conceitos mesmo que ultrapassados, insistem em permanecer. ^^


Bjux

Mãos de poeta disse...

Per-fei-to!

E só!

Anônimo disse...

MUUITO MAARA.

Anônimo disse...

Faltam palavras para expressar a quão é linda essa poesia!
Simplesmente LINDA!

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